Terça-feira, Dezembro 02, 2008

Papel em Branco

Depois de um certo tempo, novas linhas seguem...

Guardar o papel em branco sempre gera uma expectativa, num auspício Divino, lograr as frases mais sublimes e jamais ditas.

Mas o que seria ele, o papel em branco, senão o mais intrigante ser, que não quer ser branco. Promíscuo, afinal, não faz distinção da cor e a forma que o marca.

Também, bloqueia, às vezes, a cor azul da caneta deixando descompassada a harmonia da mente que não consegue ler o que pensa.

Guardar o papel em branco, seria uma mania?
...p'ros desenhos sem formas e sentidos...
...p'ros recados...
...p'ra fazer contas...

Sim, p'ra intrigar!

Oh, papel em branco, justo eu que vens assim, obliquo. Com essas suas várias pilhas que se somam, mais e mais... que de quando em quando consigo dar-te um sentido.

Oh, papel em branco, será você que me salvaria?

Será que em teu seio conseguirei guardar a essência que muitos buscam... ou a minha essência?

Papel em branco, quantas vezes quis me atormentar com suas cores vermelhas, fruto das contas que não quero lembrar!

Papel em branco, porque és tão branco, a ponto de qualquer outro tom conseguir te marcar. Daqueles tons que cegam, que escondem, que não contam verdades. Iludem.

Por que vós os aceitas?

Se me entrego a ti em súbitos que não terminam, que não flertam com o mal, por que ainda assim quer me ver desse jeito. Parado, entregue e debruçado em ti...

Posso ter guardado em ti egoísmos, mas certo que foi de uma tinta vermelha e pura do meu peito.

Papel em branco, tão devasso e tão branco.

...tão aos montes, tão picados...
...tão sem sentidos, tão diretos...

Papel em branco, diga-me a forma que preciso desenhar em teu dorso, para que não me afronte assim?

...você é incapaz?
...ou apenas, não sabe nada?
...reproduz o que eu sei?

Se assim, digo...

Não me confundas levianamente, sou o teu senhor e por isso agora lhe ponho um fim.