Quinta-feira, Maio 10, 2012

Alegria por Zaratustra


XI
De toda alegria que a eternidade de todas as coisas, quer mel, quer fazer, quer inebriante meia-noite e quer sepulturas, quer o consolo das lágrimas, das sepulturas, quer o dourado crepúsculo...

Que não há de querer a alegria! É mais sedenta, mais cordial, mais terrível, mais secreta que toda dor; quer-se a si mesma, morde-se a si mesma, agita-se nela a vontade de anilha; que amor, quer ódio, nada na abundância, dá, arroja para longe de si, suplica que aceitem, agradece a quem a recebe, quereria se odiada; é tão rica que tem sede de dor, de inferno, de ódio, de vergonha, do mundo, porque este mundo, ah, já o conheceis.

Homens superiores, por vós suspira a alegria, a desenfreada, a bem-aventurada; suspira pela vossa malograda dor. Toda alegria eterna suspira pelas coisas malogradas.

Pois toda alegria se estima a si mesma; por isso quer também o sofrimento! Ó felicidade! Ó dor! Desfibra-te, coração! Aprendei-o, homens superiores: a alegria quer a eternidade!

A alegria quer a eternidade de todas as coisas.

Quer profunda eternidade.
XII
Aprendestes agora o meu canto? Adivinhastes o que quer dizer?
Eia, pois, homens superiores, entoai o meu canto!
Entoai agora vós o canto cujo título é ‘Outra vez’ e cujo sentido é “por toda a eternidade”. Entoai, homens superiores, entoai o canto de Zaratustra.

Homens, excita o cérebro!
Que diz a profunda meia-noite?
Tenho dormido, tenho dormido!
De um profundo sono despertei
O mundo é profundo, mais profundo do que o dia pensava.
Profunda é sua dor e a alegria mais profunda que o sofrimento!
A dor diz: passa!
Mas toda alegria quer eternidade, quer profunda eternidade!”.
Assim Falou Zaratustra (Entre as filhas do deserto)

Quarta-feira, Maio 09, 2012

Ao amor que já não o é mais

Que o branco do fundo absorva a porosidade da tinta vermelha,
Que quer corrigir o modelo.

Um senhor, que se dá a todos, e é o abrigo do fim,
...de esperança e conforto, testa o atestado.

Emerge a intriga vital, Por quê?

Em vermelho ambíguo em seu maniqueísmo,
...o sim ou não, na dúvida, arde o que é feito de carne e osso.

E o amor? E o amor?

Esquecido, senão pelo pulsar de um coração diferente, que não pulsa, queima!

E o amor? Ficou guardado em sorrisos de porta-retrato na parede, que já foi, e não o é mais!

E o amor? Ficou guardado num livro no fundo do armário, que já foi, e não o é mais!

Terça-feira, Maio 08, 2012

Dois barcos (Los Hermanos)

"É, pode ser que a maré não vire, pode ser do vento vir contra o cais...
E se já não sinto os teus sinais, pode ser da vida acostumar...
Será, morena"

Segunda-feira, Maio 07, 2012

Eu não entendo (Clarice Lispector)

Para tantos dias ou por uma vida, permita-me não entender.

Um galho, um voo, no correr de uma lágrima



Não pelo ramo que rola, um galho.
Do tronco ao chão,
Em terra, entregue, renasce.

Pelo voo, um bico, um canto.
Ao ar, para a terra,
A flor, espera...

A nudez dos pés,
Incita a vida, sentida,
No úmido toque da terra orvalhada.

Renascer, renascer e viver.
Um perene ciclo...
Natural, como a gota da lágrima que corre e dá vida ao novo.

Internacionalização da Amazônia por Cristovam Buarque

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo e risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado.

Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo.

O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. 

Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveriam pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. 

Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. 

Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver. 

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa."

Durante debate ocorrido no mês de Novembro/2000, em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PT), foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Segundo Cristovam, foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para a sua resposta.

Quinta-feira, Abril 26, 2012

Quarta-feira, Abril 25, 2012

Sábado, Abril 21, 2012

Enigma...

... de um chamar de atenção que me parou no tempo, num instante de um sorvete.